Até Que A Grama Virou Lama...

Dançar é a expressão perpendicular de um desejo horizontal.
(George Bernard Shaw)

Quando saio, saio pra dançar... e somente dançar!
É meio estranho quando se tem quase dois metros, sair só pra se dançar. Mas é assim que faço. Despretenciosamente jogo as mãos pro ar e como um punk-rocker, danço. Como um transe absoluto. Sentindo apenas o vento, e respirando o ar misturado a fumaça. A batida do som. Tambor. Ritmo e festa.
Por ser tão intenso, sentindo emoções e sentidos antes inexplorados, saio raramente de casa com esse objetivo. De modo que me acho na maior parte do tempo careta e retraído.
Dançar é a expressão da alma!
Nunca compreendo gestos e passos.
Simplesmente danço!

Lucas de Souza Oliveira

quando titubiei em te beijar

Vontade de agradar e medo de não conseguir, eis o mistério da timidez.
(Mendonça Tremont)

Nada pra mim é mais doloroso que gostar de alguem.
Tenho a mais louca timidez de amar, e me atrapalho com minhas próprias palavras quando flerto. Não sei onde por a mão e me desfaço em planos irrealizáveis como nos desenhos. Isso, é claro, não combina nem um pouco com o cara bem articulado, pronto pra falar dos problemas do mundo, ou da mais recente partida de futebol, não combina com aquele cara que se acaba em comentários sobre qualquer assunto, quando não o amor.
Conheço milhares de pessoas e com elas brinco e me divirto, e quando entro em uma sala tenho como intima obrigação, conhecer todo mundo e no dia-a-dia dizer no mínimo bom dia. Com isso gritam aos quatro cantos, "ele 'galinha' por ai", "ele fala com todas, por isso não fica com ninguém", "fiquei sabendo que o coração dele se fechou, depois da última namorada", mas não, não sou isso. Sou acanhado, tímido e portador de uma sofrível vergonha alheia.

Ela vem andando, e estou disposto a declarar o que sinto, dizer que ela é linda, e que só tenho um querer em mim.
-Oi minha linda, tudo bem?
-Tudo, Lú. E com você.
-Tudo massa, até queria falar com você mesmo... (pensando agora se digo o que penso.)
-Claro, diz ai.
-... (pensando) ...
-Diz logo, Lú.
-Você tem o resumo da aula passada? (quem sabe digo amanhã)

Lucas de Souza Oliveira

depois de te guardar comigo

O passado pelo menos é seguro.
(
Daniel Webster)

Quando cumpre-se o destino, e nos deparamos com a certeza de que não fomos feitos pra ficarmos juntos, vem a separação. Nos restando assim, examinar o que de nós ficou no outro.

Cumpro meticulosamente essa liturgia. Quais caracteristicas que são somente dela, ficará em mim. O que será de bom em mim, que me levará a sua mente quando tocar nossa canção.
O que lhe definirá no curso da história da minha vida? Uma risada sem jeito, um cacoete com as mãos, o perfume deixado no vento. Várias coisas, que no passo da repetição me levará a ela.
Dai então acho que não haverá dúvidas, estaremos ligados!

Lucas de Souza Oliveira

sobre "som e fúria"

Quando o público não entende Shakespeare, o diretor errou.
(
Amir Haddad)


Somente o fato do premiadíssimo diretor Fernando Meirelles, voltar a trabalhar na tv, valeria a pena parar para assistir a nova minissérie da Globo. Meirelles que dirigiu filmes como "Cidade de Deus", "O jardineiro fiel" e "Ensaio sobre a cegueira", promete levar às telas brasileiras, um pouco da sua personalidade marcante e sua direção primorosa.

As filmagens serão feitas para televisão porém com o acabamento cinematográfico, o que dará ainda mais emoção e charme a história.
Mas não para por ai, a trama conta também com um elenco de primeira, presenças como o hollywoodiano Rodrigo Santoro, Dan Stubach, Daniel Filho dão um toque especial, ficando em nós a certeza de uma ótima atuação.
Com todo esse saldo positivo em cima da trama, ficaria decepcionado de ver algo que não agradasse ao público, os textos e as cenas em si, giram em torno do teatro.
Vou esperar ansiosamente a estréia, e finalmente ver a qualidade que tanto falta na grade televisiva, caso contrário só restará mesmo a fúria.
Como é de praxe no teatro, aos atores, desejo merda.

Lucas de Souza Oliveira


sobre o golpe militar hondurenho


É inútil mandar exércitos contra idéias.
(Georges Brandes)

Quando pensamos que todos os caminhos levam a democracia, vem a história e nos aplica um duro golpe.
Ontem, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, eleito democraticamente pelo voto popular, foi tirado do poder por um golpe militar. Os golpistas tramaram o ato depois de Manuel convocar um plebiscito popular sobre a possibilidade ou não de reeleição.
Pensei estar revisando aquilo que havia visto nos livros de história e que imaginei não ver nunca mais nesse continente. Nada no mundo tira do povo o direito de escolher seus representantes, a democracia é um regime que tem de ser praticada dia-a-dia.
Fico feliz que governos e organismos internacionais tenham se colocado contra o golpe, atos como esses são burlescos e não coadunam com os ideais franceses de liberdade, igualdade e fraternidade.
Só quem tem direitos burlados pelo estado, sabe o que representa uma tomada de poder. Os golpistas implantaram toque de recolher e como resposta imediata os sindicatos determinaram greves e pessoas saem as ruas para protestar desobedescendo a ordem dos militares.
Temos agora que esperar que haja pressão internacional, porque Honduras se ilhará em meio a países democráticos. O povo hondurenho necessita demais do apoio internacional para reinstaurar o governo.
Fico feliz que o presidente dos EUA, tenha se colocado contrariamente aos atos acontecidos em Honduras. Os norte-americanos, que durante muitos anos apoiaram golpes de estado, parecem ter compreendido que os países latino americanos no curso da história podem sair da condição de figurantes.

Lucas de Souza Oliveira

sobre a dança no céu

"Bob Marley morreu. Porque além de negro era judeu. Michael Jackson ainda resiste. Porque além de branco ficou triste" (Gilberto Gil, 1989)


Primeiro veio o espanto e a incredulidade diante da morte de um gênio da música, depois o lamento e a dor. A morte de Michael Jackson marca o fim de uma era no mundo pop. O amor incansável por crianças (que o levou a ser acusado de pedofilia) e as suspeitas sobre cirurgias bizarras, ficarão expostas como se fossem apenas um refúgio de um mito. A história tratará de absolver a conduta que tanto foi atacada e no fim restará só a sua obra.
Não consigo quantificar a importância de Michael na minha vida, ela foi absurda e tremenda. Em todas as fases da minha infância ou juventude, tem um pouco do Jacko na trilha sonora. Ele foi o primeiro artista que eu tenho em mente dos tempos de menino, e me lembro perfeitamente do frisson causado com o lançamento do álbum "History" no Brasil, as boates abriam em matinês para que crianças dançassem suas músicas melodicamente perfeitas. A sua influência sobre o modo como nos portávamos era facilmente percebida, tanto na sua dança robótica, que fazia com que nossos corpos se desdobrassem ou até mesmo nos produtos que viriam a ser produzidos com a assinatura MJ (lembro bem de um jogo do videogame Megadrive que eu não cansava de jogar).
Em 50 anos, o que MJ produziu para música é inenarrável, o que seria se ele vivesse mais 50 anos?!?!? É sina do mundo perder pedras preciosas no meio-dia da vida. Foi assim com John Lennon, Elvis Presley, Kurt Cobain, Jim Morrison e tantos outros. Michael se junta a essa constelação de estrelas.
Assim como todo mundo, tentei por anos e anos fazer o passo da dança que o notabilizou no globo, aquele que ele deslizava surpreendentemente pra trás como se uma corda oculta o puxasse nas apresentações de "Billie Jean", e quando finalmente consegui, meus olhos brilharam, fiz o passo com a mínima desenvoltura, e como saiu, me achei um pouquinho Jackson.
O fenômeno produzido por ele, no qual a estréia de um clipe levava milhões de pessoas pra frente dos televisores, simultaneamente me fez um fã inverterado, e assisti a todas as exibições gravadas por Michael, falaria claramente sobre todas as canções, singles e hits, procurava detalhes, curiosidades por trás de cada canção e me admirava a cada reinvenção do rei do pop.
Mas a vida nos dá grandes lições as vezes, fui tolo, e como Pedro o neguei em várias oportunidades, escondia minha admiração, contava piadas chulas e inoportunas fingindo desconhecimento, e quando ouvi na última semana, a notíca no rádio sobre a morte de Michael, me soou funebremente como um canto de um galo, assim como nas Escrituras.
Fiquei em choque, chequei notícias e tablóides, berrei aos quatro cantos que era mentira, e senti que algo de muito precioso fora tirado de mim. Pensei de fato que morreria antes dele, vemos nossos astros como seres aspirantes a imortalidade.
Na prateleira do quarto, escondido no meio de quinquilharias, peguei o DVD que continha seus grandes sucessos em vídeo. Lembrei de momentos da minha vida e grossas lágrimas escorreram sobre meu rosto.
Se eu pudesse dizer uma única palavra a Michael, gritaria: "Moonwalk", dance na lua...
Dance entre nuvens, Michael...
Nos embale com a sua canção outra vez.
Michael será eterno, e toda vez que a sua música nos fizer sacudir o corpo novamente, saberemos que ele vive.


Dividirei com vocês, o clipe, com a música que tem me feito emocionar muito a cada vez que vejo, ela foi tema do filme "Free Willy", e somente ela, vendeu no mundo 1 milhão de cópias. Um anjo desce dos céus e abraça Michael no fim da canção. Lindo momento que ficará guardado na memória.
Com vocês fica minha homenagem, e depois do clipe, só o silêncio.



video


Will You be There (tradução)


Michael Jackson



Composição: Michael Jackson


Me abrace
Como o Rio Jordão
E então eu lhe direi
Você é meu amigo

Leve-me
Como se você fosse meu irmão
Me ame como uma mãe
Você estará lá?

Quando cansado
Me diga se você vai me segurar
Quando errado você vai me dirigir
Quando perdido você vai me achar?

Mas eles me dizem
Um homem deve ter fé
E seguir mesmo quando não dá
Mas eu só um humano!

Todo mundo quer me controlar
Parece que o mundo
Tem um papel para mim
Estou tão confuso!
Você estará lá para mim
E se importar o suficiente para me suportar?

(Me abrace)
(Encoste sua cabeça devagar)
(Suave e corajosamente)
(Me leve até lá)

(Me guie)
(Me ame e me alimente)
(Me beije e me liberte)
(Me sentirei abençoado)

(Me leve)
(Me leve com coragem)
(Me levante devagar)
(Me leve até lá)

(Me salve)
(Me cure e me lave)
(Suavemente me diga)
(Eu estarei lá)

(Me levante)
(Me levante devagar)
(Me leve corajosamente)
(Me mostre que você se importa)

No nosso momento mais sombrio
No meu pior desespero
Você ainda vai se importar?
Você estará lá?
Nas minhas provações
E minhas tribulações
Pelas minhas dúvidas
E frustrações
Na minha violência
Na minha turbulência
Pelo meu medo
E minhas confissões
Na minha angústia e minha dor
Pela minha alegria e minha culpa
Na promessa de um
Outro amanhã
Nunca deixarei você partir
Pois você está no meu coração para sempre.


Lucas de Souza Oliveira



sobre o amor

"Amar é a eterna inocência. Amar é não pensar."
(Fernando Antônio Nogueira Pessoa)

Quando penso no amor, imagino um mito. Uma utopia que os humanos ousam a pensar que são dignos de ter acesso. Amar pra mim está no divino, no eterno, no imutável. Mas ainda sim, eu, um mero dentre bilhões acho possível tocar e me deliciar nos braços de Afrodite. Não tenho dúvidas, a coisa mais importante do mundo, é o amor aprender e na mesma proporção amado ser. Mas dai me vem a dúvida, seguiria eu os padrões católicos do amor individualizado? Amar somente uma pessoa e com ela seguir meus passos até a morte? Teria eu o poder de amar? Amar uma, duas, centenas de mulheres durante uma vida? Seria isso o amor? É pra entender ou pra sentir? O que eu acho é que a fidelidade é uma das coisas mais cobradas em nossa cultura. E não passa de ficção. Mas eu seria fiel. Sim, eternamente! Maluquice né? Ah, mas o que eu gosto mesmo é de um belo amor platônico, desses de ficar besta, suar a mão, frio na barriga, pernas bambas e calmamente dizer bom dia e fingir indiferença. Pra mim o amor platônico é a criação daqueles que não desejam viver um amor real. E eu, tenho medo de amar. Medo de me escravizar. É tudo lindo, sofrível, inspirador, romântico, trágico, intocável, perfeito até quando... ela resolve gostar de você também. (pronto, ferrou o amor platônico, droga!) Sou complexo, mas amo.

Lucas de Souza Oliveira