Vontade de agradar e medo de não conseguir, eis o mistério da timidez.
(Mendonça Tremont)
Nada pra mim é mais doloroso que gostar de alguem.
Tenho a mais louca timidez de amar, e me atrapalho com minhas próprias palavras quando flerto. Não sei onde por a mão e me desfaço em planos irrealizáveis como nos desenhos. Isso, é claro, não combina nem um pouco com o cara bem articulado, pronto pra falar dos problemas do mundo, ou da mais recente partida de futebol, não combina com aquele cara que se acaba em comentários sobre qualquer assunto, quando não o amor.
Conheço milhares de pessoas e com elas brinco e me divirto, e quando entro em uma sala tenho como intima obrigação, conhecer todo mundo e no dia-a-dia dizer no mínimo bom dia. Com isso gritam aos quatro cantos, "ele 'galinha' por ai", "ele fala com todas, por isso não fica com ninguém", "fiquei sabendo que o coração dele se fechou, depois da última namorada", mas não, não sou isso. Sou acanhado, tímido e portador de uma sofrível vergonha alheia.
Ela vem andando, e estou disposto a declarar o que sinto, dizer que ela é linda, e que só tenho um querer em mim.
-Oi minha linda, tudo bem?
-Tudo, Lú. E com você.
-Tudo massa, até queria falar com você mesmo... (pensando agora se digo o que penso.)
-Claro, diz ai.
-... (pensando) ...
-Diz logo, Lú.
-Você tem o resumo da aula passada? (quem sabe digo amanhã)
Lucas de Souza Oliveira